18
fev

Colapso na Saúde Mental

As instituições são muito importantes para as pessoas com transtorno mental grave. Nestas, eles terão assistência, cuidados básicos ao invés de largados nas ruas ou mesmo dentro de suas casas. A visão dita moderna é uma farsa. Os pacientes estão nas ruas, no que diz respeito aos  que dependem de serviços públicos, estão abandonados a própria sorte. Basta um passeio pelas ruas do Rio que você verá não um, mas várias destas pessoas alijadas da sociedade perambulando sem rumo. São doentes entregues aos cuidados dos pedestres que geralmente são solícitos, mas não  sabem que estão diante de um doente. Pensam ser um mendigo, um sem teto etc… Pessoas com transtornos mentais graves estão sujeitas a vários acidentes, pois sem tratamento e cuidados ficam totalmente desorientadas. É muito bonito ver pessoas falando de liberdade para  os loucos, e  ficam admirando suas frases que chamam de poesias. Coitados, não sabem como sofrem como precisam de cuidados básicos, uma cama, um remédio e uma alimentação digna (o simples “feijão com arroz”). Lamentável que ideologias fracassadas perdurem no meio de profissionais de saúde mental. Não deu certo! Basta assumir, ninguém vai vibrar com uma tentativa de fazer algo que supostamente seria o melhor, mas não deu. Mudem. O modelo de instituição que as pessoas carregam em suas mentes (sim, esse modelo antigo ainda faz parte. Inclusive de pessoas bem esclarecidas) é antiquado, de grades, camisas de força, “sossega leão”. Não temos mais este modelo. Hoje com o avanço da medicina e de técnicas psicoterápicas de base analítica, novas medicações ajudam  a manter estas pessoas dentro de uma padrão organizacional , mental, bastante adequado. As instituições modernas de hoje em dia oferecem uma gama de atividades que somadas com a tomada de medicação de forma adequada e sistemática e psicoterapia de base analítica,, conseguem fazer que pessoas com transtorno mental de alto grau permaneçam integrados. Para isso, acredito firmemente que a instituição é fundamental.

O que mais acontece é a recidiva, ou seja, a interrupção do tratamento e dai a pessoa volta a ter as crises que vão prejudicando não só sua fisiologia, mas também sua crença de que pode viver de forma digna. A internação num sistema moderno, oferece muitas vantagens. O paciente passa a ter um cotidiano, um cuidado, pessoas com quem conversar atividades em oficinas terapêuticas com profissionais de várias áreas e também com os funcionários das instituições. Muitos ficam em suas casas, sem fazer nada, vendo tv, comendo, às vezes saindo e deixando sua família em desespero, e acabam ficando  cronificados!! O tratamento não fica localizado na equação – consulta médica/ 30 dias( quando não, 60,90)/ consulta médica.. e de vez em quando psicoterapia.

Opções

Hoje, é fato, o modelo de hospital-dia esta sacramentado. E os Residenciais Terapêuticos também passaram a ser fundamentais. Na medida em que nossa população envelhece, não nos esqueçamos de que pessoas com transtorno mental de alto grau também envelhecem: e quem vai cuidar deles? Nos EUA, uma campanha da Menninger Clinic tenta acabar com o estigma da esquizofrenia. Isso mesmo, nos EUA!! Imaginemos como é aqui! O preconceito continua, os loucos continuam sendo discriminados, humilhados, e o silêncio daqueles que implantaram este modelo com fundo ideológico, mas, absolutamente fora da realidade, silenciam. A lei em si, tem muitos avanços. Mas na prática, necessita de reformulações. Vejam o que aconteceu na França:

“O jornal Libération,em sua edição de 29 de janeiro de 2008, publicou extensa matéria sobre o tema. Segundo o periódico, a psiquiatria pública está mal: há mais de vinte anos sofre de indiferença pelo poder público. Os leitos vêm sendo drasticamente reduzidos passando dos oitenta mil em 1990, aos quarenta mil atuais.” Revista Latinoamericana de Psicopatologia FundamentalPrint version ISSN 1415-4714Rev. latinoam. psicopatol. fundam. vol.11 no.1 São Paulo Mar. 2008.

O texto é sobre um documentário “ Ela se chama Sabine” onde o autor do texto(P R Cecarelli) além de fazer um excelente resumo da história, tece algumas observações sobre o funcionamento das instituições de saúde mental na França.

Mas, acredito firmemente que vamos conseguir dar um acolhimento adequado para os nossos doentes mentais. Tenho ciência de que temos profissionais de saúde mental que trabalham de forma abnegada para que os pacientes tenham o mínimo. Mas, da forma atual, com a politização, também da saúde mental,  o trabalho será muito mais demorado. Ainda sim, creio que a serenidade da consciência se estabeleça na mente destes que estão no momento, repito, no momento, com a responsabilidade de cuidarem dos nossos doentes mentais e que consigam através da razão, do profissionalismo, e da técnica apropriada fazerem o que eles mais necessitam: tratamento adequado.

Márcio Astrachan