27
nov

Sobre a patologização dos sentimentos humanos

Patologização das ações humanas

A busca incessante por “ALGO” vem sendo rotulado pela ciência médica como patológico. Nada em absoluto contra a evolução da medicina que, não fosse por sua busca pela vida, estaríamos todos em maus lençóis. O que trago para uma reflexão é que nem tudo se resume a uma patologia. No jornal O Globo, de hoje ou ontem, uma matéria sobre o vicio na internet tenta mais uma vez (outras matérias iguais já foram publicadas) patologizar a dependência. Negam que essa dependência por um objeto externo que tanto falam se resume a algo que a filosofia busca entender até hoje: o vazio.

Preencher o vazio é a tentativa de não sofrer, de não entrar em contato com seu íntimo, ficar só, não ter respostas prontas, viver com interrogações.  Esse vazio, entendo, é o ponto da dependência. E temos que nos preparar, pois a tecnologia não vai parar de produzir, de criar. Ótimo.  A tecnologia como parte do nosso cotidiano é um caminho sem volta. Mas, se o “ser” não evoluir a dependência vai crescer, não apenas na internet, mas em tudo que se possa aliviar a dor “que não se pega com as mãos.”.

Márcio Astrachan